quarta-feira, 1 de março de 2017

Em Praga: conhecendo Jiří Wehle


As coordenadas para aquele dia, mais uma vez em um inglês truncado, eram basicamente as mesmas: castelo de Praga. Desta vez, entretanto, eu possuía alguns detalhes a mais; incluindo uma ladeira, uma escadaria e uma curva. Por outro lado, a razão de minha pequena aventura havia me avisado sem dó que aquele era um dia frio e ele não ficaria até tarde em seu bom e velho canto. Tocaria menos que o normal.

Naquele dia eu teria literalmente dia inteiro pela frente; e à noite pegaria um ônibus para Budapeste. Só Deus sabe quando volto aqui, eu pensei. E mesmo assim tentei me enganar numa falsa aceitação. O plano era bem simples, na real: passear pela cidade velha e fazer hora perto da rodoviária. À noite pegaria um ônibus pra Hungria e eu queria apenas relaxar. Sendo assim, subir mais uma vez o castelo de Praga envolveria algum dinheiro a mais para passagens, tempo, e sem dúvida, o risco quase mortal de mais uma vez correr por aquelas ruelas sem encontrar o bardo que há muitos anos havia me cativado em um vídeo amador gravado nas ruas de um local desconhecido por mim. O medo era grande pois no dia anterior eu já havia entrado em contato com  Jiří Wehle e tentado em vão encontra-lo pelas ruelas do Castelo, sem sucesso. E doeu, viu. Amada companheira de viagens e talentosa baixista, minha querida amiga Ana só faltou me empurrar. Você vá e rode aquilo tudo, temos tempo e você vai se arrepender se não encontrar esse homem. Então fui. E comecei minha busca a partir de uma praça diferente. A ladeira mencionada já estava diante de mim; e a  subida,  com meu bom Zigfried nas costas, ficou ainda mais pesada que o esperado.



Subi, subi, subi até chegar aos pés de uma escadaria. A curva à direita logo revelou uma ladeira ainda mais íngreme, cheia de turistas subindo e descendo. Arrisquei e dei alguns passos a frente. Já na metade da ladeira, lembrei do quão perdido eu sou no que diz respeito a direções e mapas e eu tive a certeza amarga de estar na rua errada, perdendo o precioso tempo que tinha para apertar a mão de um dos poucos seres humanos que ainda vivem nesse limiar estranho, com os dois pés no passado e a voz no presente, roubando mentes e mãos; cativando mais pessoas do que ele sabe. Voltei à escadaria, somente para paquerar a vitrine da loja de sorvete de absinto e dar meia volta. Se era pra estar errado, que eu seguisse o equívoco até o fim.

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Foi entre uma música e outra que o tamanho da minha estupidez caiu sobre minha cabeça. Como numa cena de filme, meu fone silenciado deu lugar a uma corda levemente desafinada. Um som fraco, distante. Trompette. Uma voz aguda e cansada. Jiří Wehle estava mais à frente e eu gelei. 

Ao me ver me aproximando, ele parou de  tocar. Me apresentei, apertei sua mão e agradeci sua boa vontade em responder minhas mensagens. Jiří me disse que dei sorte de ter chegado a tempo, pois suas mãos já estavam bem geladas e ele queria ir embora, o inverno complica tudo, e ele fala com mais jovialidade que eu esperava. Me pergunto até que ponto estou conhecendo o músico, o bardo ou o personagem - nah, é bardo mesmo. rs Após um silêncio um tanto constrangedor, Jiří perguntou timidamente se o que eu tinha nas minhas costas era uma viela; e ficou bem animado ao vê-la, elogiando o acabamento e dizendo que a dele era bem mais simples. Ficamos alguns minutos trocando informações sobre luthiers que nos agradam e ele curiosamente me confessou que apesar de possuir uma viela feita por um dos melhores do mundo, ela não o satisfaz - prefiro isso aqui, é muito mais alto!

Nosso papo também passou por afinações e bordões que nos agradam, o que foi surreal porque eu esperava apenas ouvi-lo tocar e dar tchau. Foi então que senti que ele precisava tocar porque algumas pessoas estava parando em frente ao seu carrinho, o encorajei a faze-lo e coloquei algumas moedas em seu potinho, pedindo para que continuasse. Acenei, agradeci mais duas vezes e enquanto ele tocava tentei apreciar a vista da cidade ao som desse homem que sempre me inspirou. Me afastar mais que isso me pareceu impossível. Foi um dos momentos mais mágicos da minha vida. Como eu amo estar entre o presente e o passado - e quanto passado essa cidade tem, e como os sons produzidos por Jiří tem história. Os ecos estão ali para quem quiser ouvir.


Após duas músicas, bastou apenas eu dar um passo na direção oposta para eu me dar conta da segunda estupidez do dia: não comprar seu disco. Volto eu, muito constrangido e tento perguntar o preço do CD em questão. Como ele não possuía troco, Jiří me ofereceu um como lembrança e eu prontamente recusei. E eu lá vou desconsiderar o trabalho de um músico de rua? Troquei meu dinheiro numa barraquinha mais acima, comprei seu CD, o agradeci imensamente e segui meu caminho com o coração pequenininho e o som de sua voz se perdendo pelas ruas.

Esse instrumento é mágico sim. Não digam o contrário.

Nunca.


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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

III Encontro de Vielas de Roda - São Paulo



Inversamente proporcional ao número de vielistas no Brasil, nosso encontro esse ano foi bem menor que os anteriores. Por outro lado, foi também mais intimista: apenas quatro músicos trocando experiências, tocando músicas e desenvolvendo projetos bem legais para o futuro.

A bem da verdade, nosso encontro de 2016 foi organizado super em cima da hora...  E a organização desses encontros tem sido sempre complicada porque somos poucos vielistas, e nem todos vão demonstrar necessariamente vontade de participar; e dentre os interessados, um número menor ainda pode comparecer por conta de compromissos, praticidade, deslocamento etc. Bom, no fim das contas, rolou. E o Ibirapuera nos recebeu de braços aberto... Dentro do possível.

Escolhi o parque  porque minhas experiências por lá sempre foram muito legais, de verdade. Escolhi também o local perto do planetário (que depois descobri se tratar da Oca, e não de um planetário //#Cariocas//) por ter se mostrado sempre um ambiente acolhedor, bem "família", bem leve.  Dessa vez, entretanto, o local estava apenas lotado de pessoas, em sua grande maioria jovens. Bebendo. Muito. Pequei ao não lembrar que sempre fui ao Ibira em feriados, com a cidade mais vazia. Oh well.

Ficamos um pouco incomodados com a vibe, porque em menos de uma hora vimos (ou eu vi) uma moça dar perda total devido ao que parecia ser um coma alcoólico, duas brigas e uma pessoa rolar no chão por não conseguir andar. Foi bem tenso, mas nada que tirasse nossa atenção do que realmente importava: nossas vielas.

Estavam presentes nesse encontro Christian Cavalera, com seu Minuet construído pelo Mel Dorries nos EUA, Gabriel Inague e Nayane Teixeira, ambos com instrumentos feitos pelo Neil Brook, na Inglaterra. Foi absolutamente especial estar com eles e conversar tanto sobre coisas tão simples como... algodão. Poder falar de cordas, dar uma olhada rápida na técnica da mão direita, ver como cada um desenvolve seu próprio estilo (algo que torna esse instrumento algo TÃO fértil!). A verdade é que fazer planos e falar cara à cara de QUALQUER coisa relacionada ao instrumento é apenas um privilégio. Somos realmente poucos, moramos longe uns dos outros e temos muita coisa em comum.

Foi uma tarde especial ao lado de quem faz parte desse sonho comigo. Como a Nayane bem disse, esse encontro foi pura inspiração. E terminamos o dia com um pequeno vídeo da Bourrée à Aurore Sand, vídeo gravado após termos corrido da chuva; e vídeo esse que já rodou o mundo INTEIRO e nos trouxe comentários gentis e inspiradores diretamente da França, da Suécia, da Galícia... E do Japão. Muito legal ver que estamos fazendo um barulhinho na comunidade internacional de vielas, mostrando ao mundo que existimos e que também fazemos parte desse grupo tão singular.

Meu muitíssimo obrigado a vocês Nay, Gabi e Christian. Mil desculpas pela confusão com locais e horários. Eu tento fugir de clichês, mas esse do carioca em São Paulo me pegou legal. hahah

Beijos e até a próxima!




Faun no Brasil OU III Encontro Nacional de Vielas OU Não sei nem por onde começar (!)



Não sei por onde começar. Mesmo. Mas vamos pelo óbvio: Faun. No Brasil.

Faun.

Para nós aqui do cantinho abaixo da linha do Equador - ou pelo menos para mim - Faun é um símbolo de muitas coisas, inclusive de uma espécie de porta para a música medieval. Um portão que nos leva diretamente ao nosso amado instrumento. Sei lá, eu realmente nunca pensei que fosse vê-los ao vivo. Muito menos no Brasil. Muito menos nas circunstâncias em que os assisti... Quando o show foi anunciado, há alguns meses, eu tinha quase uma plena certeza de que algo ia rolar e o evento seria cancelado. Eu não queria jogar minhas expectativas lá no alto.

Olar.
Mas a gente joga mesmo, né. E já que a ideia era ter um fim de semana épico, que nós o fizéssemos direito, com direito a muita viela de roda. Daí então pensem comigo: planos para um fim de semana épico, vielas e internet funcionando. Voilà, eu já possuía o contato do Stephan, vielista do Faun, há algum tempo (o pequeno grande mundo da viela); então escrevi para ele expondo minhas intensões. Infelizmente, devido ao schedule louco de passagem de som e transfers tudo ficaria mais difícil. Eu já havia começado a perder minhas esperanças quando ele mesmo sugeriu de encontrar quem estivesse lá no dia do show, em algum momento entre passagem de som e o show propriamente dito. Achei maneiríssimo da parte dele, mas né...Aceitei a dificuldade de alguém que viajaria de tão longe, passando pelo trânsito de São Paulo, passando som no calor de novembro, AINDA ter que encontrar uns vielistas bocós pra trocar ideia.... Fora que, né. Levar case de instrumento para um show não é uma boa ideia se você não tem CERTEZA do que vai rolar. Enfim, pausa nessa plot.

Daqui do meu lado da situação, o evento para o encontro estava bem caído. Em parte porque nem todos vielistas iriam ao show do Faun, em parte porque não era Curitiba (existem  SEIS de nós apenas lá), em parte porque eu criei o evento muito em cima da hora e nem eu sabia direito onde no Ibirapuera nos encontraríamos (prometo compensar ano que vem). Resultado: apenas eu e Gabriel Inague iríamos ao show. Nayane e Christian se reuniriam a nós no domingo, apenas para o encontro vielístico. =)




Já na fila para o show, o esquenta: kit-tiéte comprado, bebidinha na mão e pessoas com as mais lindas fantasias. Eu e Gabriel já havíamos aceitado que provavelmente nada rolaria. O clima já estava mágico e nós estávamos a ponto de entrar quando me surge Stephan Groth procurando não por uma garrafa d'água, não pelo produtor do show.... Mas por mim LOL. Nos apresentamos rapidamente e ele ficou levemente desapontado ao não ver nossos cases. Explicamos que não havíamos trazido as vielas porque não sabíamos se de fato o encontraríamos, mas se engana quem pensa que isso babou nosso encontro. Stephan gentilmente nos buscou lá dentro dez minutos depois e fomos ao backstage. O que seguiu foi um ótimo papo sobre a viela de roda no Brasil e na Alemanha, algumas dicas a respeito dos coups de poignet (técnica da mão direita) e claro, uma belíssima demonstração técnica do talento e da simpatia do Stephan.

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Serei eternamente grato a esse músico absurdo que apenas provou minha teoria sobre vielistas serem os músicos mais gentis da face da terra. Pouco depois dissemos nossos "see ya soon!" e deixamos Stephan curtir alguns dos fãs que estavam lá atrás com a gente. Só então estávamos realmente preparados para....

... O Show.

De longe uma das tardes mais legais que já tive o prazer de vivenciar.  As bandas Taberna e Taberna Folk simplesmente arrasaram. E Faun me proporcionou apenas o melhor show que já vi na vida. Um sonho realizado que superou absolutamente TODAS as minhas expectativas. Volume, técnica, ambientação, presença de palco, repertório, carisma.... A lista segue sem fim. Faun mostrou a que veio, e dentre suas muitas proezas, o realce da viela de roda no mundo dispara. Nosso encontro de vielas não poderia ter ocorrido em um fim de semana mais perfeito que esse, mas falo disso já já no próximo post.

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                                   =)



segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Viela de Roda feita em São Paulo (!)



Eu a conheci especificamente através da música galega, muitos outros a conheceram através da música antiga; alguns  - aqui no Brasil, inclusive e talvez principalmente - através do folk metal e outros, basicamente lá fora, foram abduzidos pela viela por conta da música tradicional de alguns países europeus. As possibilidades que fogem a essas regras se limitam a ter ouvido "hurdy-gurdy man", do Donovan, ou ter visto a clássica participação de Nigel Eaton nos shows do Robert Plant ou da Loreena McKkennitt. Temos até um bom número de vias que nos levem ao nosso amado instrumento, ainda mais hoje em dia, com o boom da viela de roda in all things pagan

Porém, contudo, todavia, sabemos que o melhor do Brasil é o brasileiro e com a gente não há tempo ruim e toda oportunidade é uma oportunidade. Somos únicos, é justo dizer. Mas somos ainda MAIS únicos quando o assunto é a viela de roda. 

Pois bem: estava eu no facebook dia desses quando um rapaz me adicionou e pediu permissão para entrar no nosso Viela de Roda Brasil, nosso amado grupo virtual. Prontamente aceitei, afinal quanto mais adeptos, melhor... A surpresa foi ver, logo de cara, um monte de fotos de uma viela de roda diferente das que normalmente vemos por aí. Desconfiei e  desconfiei, mas era isso mesmo, a bendita viela havia sido construída pelo rapaz em questão. Estou falando de Fernando Padilha, de Jundiaí, São Paulo,

Fernando vem de uma família do interior de São Paulo, e aprendeu a arte da liuteria com seu avô quando ainda era muito jovem. Hoje em dia é o único de sua família que ainda sabe lidar com a madeira e as ferramentas necessárias para construir instrumentos musicais. Sua paixão pela viela de roda se reflete numa história que começa em 2004 e se conclui agora em 2016, com a construção de sua primeira viela. 



Utilizando-se de suas folgas no trabalho, Fernando levou mais ou menos cinco meses (!) para construir sua viela de roda. Levou em consideração o tempo do verniz, tempo de colagem etc. E pesquisou bastante, principalmente no que diz respeito à madeira que deveria ser utilizada. O mais impressionante em sua história, contudo, é que  suas próprias medidas foram utilizadas para construir seu instrumento. E a viela que o cativou eternamente? Simplesmente a viela de um personagem da animação O Expresso Polar. A cena está aqui em cima. Isso é apenas FANTÁSTICO.

Para uma primeira viela, para alguém que nunca havia visto o instrumento antes e principalmente para alguém que a viu em uma animação, o resultado é espetacular. Ainda não pude ouvir seu som, porque de acordo com Fernando ele ainda precisa encordoar sua viela, aplicar a resina na roda e claro, instalar a manivela. E sabemos que a construção de um instrumento (ainda mais da viela de roda) requer anos de aperfeiçoamento. Tanto que hoje em dia temos escolas lá fora especializadas apenas em formar luthiers de vielas e roda (alô, Galícia! Te amamos!). De qualquer forma, gente, Fernando já pisou com o pé direito no mundo da viela de roda no Brasil. É engraçado ver que o processo que estamos vivendo aqui em 2016 era muito comum na Europa lá pelos anos 60. Apesar de alguma tradição sempre ter existido, muitos luthiers começaram assim, se baseando em pinturas e esculturas, dando asas à essa paixão com suas próprias mãos porque viviam em locais afastados dos pólos tradicionais e precisaram aprender sua própria arte sozinhos.

Toda sorte do mundo pro Fernando. Que sua jornada seja longa e fértil, pois faltam vielas de roda aqui no Brasil; e são muitos os que tem esse sonho.

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Algumas fotos do processo de construção:




















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Vielisticamente,


Rique

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ondas do Opará - Trilha sonora da novela Velho Chico

Em fevereiro tive a felicidade imensa (e surreal) de gravar minha viela de roda na versão brasileira da cantiga medieval Ondas do Mar de Vigo, de Martim Codax (século XIII) com a talentosíssima cantora Fortuna. Na adaptação - dirigida e arranjada por ninguém menos que Tim Rescala - a donzela apaixonada não canta para ondas do mar de Vigo, mas sim para as ondas do velho Rio São Francisco, também conhecido como Opará. 


Vielisticamente,


Rique

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Viela de roda à venda no Brasil (!)

                                                                       
Atenção, atenção!

Um dos raros momentos nesse vasto cenário vielística brasileiro: temos uma viela à venda.
Ninguém menos que Raine Holz  -  musicista curitibana que está prestes a lançar seu novo álbum, Éidolon - colocou seu lindo modelo Minuet, construído por Mel Dorries, à venda.

Segue seu anúncio:

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VENDE-SE HURDY-GURDY - CURITIBA

É, eu sei. Muitos de vocês vão querer me matar por isso. Eu já desisti de vendê-lo anteriormente neste ano, mas desta vez a oferta é séria. Se você tem interesse em uma viela de roda que já está aqui no Brasil, a sua chance é essa.
Vende-se viela de roda construída em 2012 pelo luthier Mel Dorries dowww.hurdygurdycrafters.com, o modelo entitulado "Minuet", considerado injustamente como um modelo de estudo. Embora simples, esta viela de roda é equipada com todas as ferramentas necessárias para aprender técnica e desenvolver afinidade com o instrumento, e possui um timbre alto, claro e brilhante. É atualmente a viela de roda mais barata oferecida no mercado internacional com a qualidade que o instrumento deve ter. De fato, uma peça formidável e de grande versatilidade. Esta foi minha viela por quase quatro anos, e foi usada com muito amor e dedicação. Não é um instrumento novo, mas o que você receberá se assemelhará quase que inteiramente com o que receberia de um luthier, pois trata-se de uma peça cuidada com extremo zelo... Afinal, é minha, e quem acompanha meu trabalho sabe o que ela já fez por mim. 
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Vamos para as especificações técnicas:

• Viela de roda construída em Padauk e Maple;
• Três cordas, sendo elas 1 cantora, 1 bordão e 1 trompete;
• Afinação clássica em G/C (G cantora, G bordão e C trompete);
• Duas oitavas cromáticas, cada tecla incluindo informação de nota;
• Do comprimento aproximado de um violino, leve e portátil;
• Tangentes de madeira ajustáveis;
• Cravelhas de viola;
• Chien na corda trompeta, obviamente;
• Manivela em formato "S", customizada a pedido.

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Acompanha esta oferta:

• Correia de couro Basso, para tocar de pé (o instrumento é bastante leve);
• Algodão próprio para o instrumento;
• Ferramenta de madeira para afinar as cravelhas;
• Bolsa de tecido com velcro feita pela esposa do luthier;
• Três cravelhas extras;
• Corda de tripa cantora, com comprimento suficiente para fazer duas cordas.

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Extra:

Case adaptado em alumínio para o instrumento, à parte (+200,00).
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Esta viela de roda foi adquirida em 2012, e juntamente com as fotos está um print do invoice de pagamento com o valor na época. O instrumento custou 1300 dólares, com 38 dólares da manivela customizada e 75 dólares de frete. Recebi o instrumento por correio e as taxas de alfândega excederam 3mil reais, paga no Banco do Brasil para retirar o mesmo na agência de Correio (foi um sufoco). Hoje este instrumento em seu modelo padrão é anunciado pelo luthier com o valor de 1400 dólares (conformewww.hurdygurdycrafters.com), isto é, sem a manivela em formato de "S".
Estou oferecendo o instrumento (SEM o case de alumínio ou frete incluso) pelo valor de R$4,800. Considere que para adquirir o mesmo instrumento pelo luthier, você terá uma fila de espera de pelos menos 4 meses, e mesmas condições de pagamento que ofereço: à vista. No entanto, se você converter o valor atual de 1400 dólares em reais, apenas o instrumento custará 4470 reais, fora a taxa de frete e a alfândega, que acredite em mim, não é só 60% do valor... Eu descobri isso comprando este instrumento.  Isso jogará este mesmo instrumento em valores acima de 7000 reais tranquilamente.
Este valor não é negociável. Não aceito reservas. O instrumento está em condições ótimas, e receberá um bom tratamento por mim em relação a cordas, algodão e breu antes de ser enviado. Polido, limpado e embalado devidamente. Quem me conhece, sabe do que se trata. Esta viela de roda foi por muito tempo a coisa mais importante da minha vida, e passá-la adiante só acontecerá nos mais altos graus de confiança, transparência e cuidado. Isso você pode ter certeza.
Podem mandar inbox aqui no Facebook ou email para twraine@gmail.com para informações adicionais de compra. Se você está considerando ter uma viela de roda entregue em questão de dias para você, está aqui sua chance. Valor melhor você não encontra, isso eu garanto. 




Gurdy in Rio!



E apesar do blog estar bem paradinho, o mundo da viela de roda - pelo menos aqui no Rio -  até que anda bastante agitado.

Há duas semanas tivemos a Feira Medieval da UFF que fechou a semana da música medieval organizada pela instituição. A semana trouxe palestras, workshops, e claro, concertos. Aqui ficam alguns registros do que ocorreu por lá; incluindo, é claro, nosso querido instrumento.

Nosso time carioca no momento é composto por quatro pessoas, ao que parece. Além de mim, sempre soube da graciosa Virgínia Van der Linden, do Música Antiga da UFF, que vira e mexe está com sua sinfonia nos concertos do grupo, também já tocada por Lenora Mendes. Contudo, as gratas surpresas que os últimos meses me trouxeram são  duas, a saber:


A viela de Eduardo sendo admirada.
Eduardo Antonello, integrante da orquestra de música barroca da UNIRIO e talentosíssimo músico que domina diferentes instrumentos como cravo, a viola da gamba, o crumhorn e claro, a viela de roda. =) Eduardo toca uma viela feita pelo workshop Altarwind, se não me engano. Ele esteve presente na feira e sua linda viela fez o maior sucesso. 

Félix Ferrá

Além do fera Eduardo Antonello, outro vielista que encontrei recentemente aqui pelo Rio foi Félix  Ferrà, que integra o fantástico grupo de música antiga Códex Sanctíssima, Félix teve aulas de viela de roda com ninguém menos que Éfrén Lopéz e toca uma viela espanhola feita sob medida: apesar de toda sua estética medieval, o instrumento inclui um trompette - apesar do som do grupo ter como base uma época em que (em teoria) o chien não era utilizado no instrumento.. O grupo conta com instrumentos lindíssimos e vozes mais lindas ainda, é realmente uma experiência mágica vê-los; e durante o festival eles se apresentaram no Centro de Artes da UFF.

É realmente maravilhoso saber que temos esses instrumentos soltos por aí fazendo música de qualidade. Acho fascinante o fato de um instrumento tão raro por aqui ser tão diverso: um na música folk, outro na música barroca e outros dois na música medieval. Não é atoa que a viela pôde sobreviver tantos séculos, mesmo enfrentando a quase extinção. Nosso instrumento é, de fato, épico.


A viela espanhola do Códex  Sanctíssima


Vielisticamente,


Rique